MANIFESTO
Eu tentei lembrar de quando a vida ainda não sabia desaparecer. Quando as cadeiras da mesa nunca ficavam vazias. Quando as vozes eram tão comuns que pareciam eternas. Quando eu acreditava que o tempo apenas passava. Não que levava.
Fechei os olhos procurando aquele lugar. A casa continuava ali, as paredes ainda respiravam, a luz atravessava a mesma janela, mas havia alguma coisa errada. Talvez sempre tenha havido. Talvez a felicidade seja sempre assim: uma coisa que só recebe nome depois que desaparece.
A memória nunca devolve o que perdemos. Ela constrói uma versão suportável da ausência.
Cada lembrança é uma restauração imperfeita. Uma pintura refeita por alguém que esqueceu as cores. Talvez seja por isso que alguns perfumes nos machucam. Eles chegam antes das imagens, antes dos nomes, antes da razão.
São vestígios de uma vida que já não existe exatamente como acreditamos.
Passei anos tentando lembrar daquele mundo, daquele silêncio, daquelas pessoas, daquele instante em que tudo ainda parecia infinito. Mas existe uma crueldade escondida na memória. Ela nunca preserva o passado. Ela preserva apenas a saudade.
E, às vezes, a saudade inventa lugares mais bonitos do que aqueles onde realmente estivemos.
Talvez eu nunca esteja tentando lembrar do que aconteceu. Talvez eu esteja tentando voltar para alguém que deixou de existir.
Talvez essa pessoa seja eu.
Notas de topo
Cardamomo, Anis-estrelado, Notas alcoólicas / licor, Açúcar queimado
Notas de coração
Manteiga, Chantilly, Caramelo, Baunilha, Tabaco com chocolate
Notas de base
Cera de vela quente, Poeira, Casa antiga, Patchouli escuro, sândalo cremoso, âmbar, almíscares e notas animálicas
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R$ 199,00Preço
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